sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre o Conceito de Felicidade

Olá,

Saudade do meu velho cantinho de paz. Como faz muito tempo que não postava aqui, esperei  que a inspiração viesse, então saiu a história que eu humildemente escrevi. Espero que gostem.




Onde Está a Felicidade



         Ela abre as portas de seu guarda-roupas e o encara por alguns segundos, tira as roupas do cabide e corre para o espelho com cara de desgosto as joga em cima da cama, volta ao guarda-roupas, enquanto isso seu pequeno radinho toca sua música, pega outras peças e dança com elas, e as joga na cama, e quando volta novamente acha o que tanto procurava sem ter a menor idéia de que era aquilo que queria vestir.

        Não havia sol, nem se quer o dia era belo, mas ela não se importava, pensava com seus botões: – dane-se o sol, eu gosto mesmo é de um belo banho de chuva. Vestiu suas meias rasgadas por cima da calcinha de coraçãozinho  e sentiu-se confortável com sua camiseta neon, sua saia de couro e sua jaqueta jeans. Não, ela não fazia parte dos padrões da moda e nem queria. E aquele cabelo? Ao invés de penteá-lo, sacudiu, o embaraçou mais, desligou a música, pegou sua mochila e pela portinha vermelha saiu.

        A chuva caia, ela abriu seu guarda-chuva,colocou sua capa e cantou:

 - I'm singin in the rain, just singin in the rain... lá lá lá lá láaaa...

          Sua voz não era bela, tampouco ela sabia toda letra, havia tanto tempo que assistira o musical... Mas não se importava e nem parou para perceber as poucas pessoas que a encaravam, enquanto as outras corriam apressadas para que não se atrasassem, e muito menos ouvia os que esbravejavam contra aquele dia chuvoso.

        Parou em uma pracinha, chamou um garotinho de rua que por ali perambulava, levou-lhe a padaria logo em frente, os dois lancharam juntos e devoraram  aqueles enormes pedaços de bolo de chocolate.

        Ao sair sorriu para todos que olharam os dois com desprezo e sumiu pela rua sem direção nenhuma mas com destino certo.

        Enquanto caminhava, observava duas formiguinhas que carregavam grãozinhos de açúcar e formavam fila em uma parede velha, e lembrou-se de Amélie Poulain, sentiu-se como ela por um momento, mas logo lembrou-se que ela era única. Seguiu em frente, colheu algumas flores que resistiam aos pingos de chuva, colocou-as atrás de sua orelha e sorriu.

        Passou pela porta de uma casa antiga, onde ouvira ecoar a sonoridade doce e delicada de sonata ao luar. Parou por um instante, sentiu a música e saiu. Seguiu em direção ao horizonte, a um lugar onde só ela poderia chegar. Não se importou com quem ficou para trás, não reparou os que riam dela, não viu se o garotinho agradeceu, deixou que seu guarda chuva voasse pelas ruas, e correu, correu, correu, girou, sapateou, o trânsito parou, as pessoas assustavam-se, boquiabertas se entreolhavam, um pequeno cachorro a seguiu, ela o acariciou, dançou, sorriu, e dentre as árvores de um jardim logo sumiu.

     Quem é ela ninguém sabe, onde trabalha, com quem mora, se namora, não lhes interessa. Talvez ela nunca volte. Que alegria é essa?  Porque as coisas do mundo não lhe preocupam? Porque é diferente? Ou somos nós que somos estranhos demais? E é nessas horas, que o velho Sócrates me socorre... Tudo que sei é que nada sei, diz ele. O que é felicidade? As pessoas talvez um dia jamais saibam. Onde encontrá-la, pode ser em um jardim, em uma loja de roupas, ou deitar-se no capim. Pode ser que não encontremos, ou talvez sejamos felizes, mas ainda não sabemos.

      Aquela mulher era bela e em uma coisa posso ser sincera, Ela não se importava com rótulos, não ligava para os paradigmas, e via a verdadeira beleza na simplicidade, sorria para todos, cantava na chuva e no fundo, nem que fosse bem lá no fundo, todos se encantavam e reconheciam o quão extraordinária ela era. Ela era realmente feliz.

        Ponto e fim.


Por: Bethânia Marques Teles