Por que trabalhamos? Para poder
comer, ter conforto, adquirir bens de consumo, ou seja, para satisfazer nossas
necessidades impostas pela sociedade capitalista, mas e o nosso “tempo livre”?
O que fazemos com ele? E o que poderíamos fazer para aproveitá-lo?
Hoje enquanto lia uma matéria da
revista filosofia, fiz algumas descobertas e confirmei algumas ideias que tinha
e vou compartilhá-las com vocês.
A cada dia que passa o ritmo nas
cidades só acelera e as pessoas se submetem a jornadas de trabalho exaustivas e
desgastantes, isso em função da necessidade de consumir que cresce exponencialmente
todos os dias. E há os momentos de folga que todos têm direito quando exercem
uma tarefa obrigatória, o que a maioria das pessoas fazem, é utilizar esse
tempo para atividades “culturais”, ou simplesmente descansar por horas e tentar
se livrar de todo cansaço físico e mental.
E o que eu quero dizer com isso?
Bom, a filosofia nasceu com tempo livre, ou ócio, e foi através desse tempo que
os indivíduos começaram a fazer questionamentos acerca das coisas, criticar os
moldes sociais e etc. Logo, para pensar, racionalizar, criticar é preciso
tempo, mas segundo a máxima capitalista “tempo é dinheiro” e dessa forma as
pessoas não perdem tempo pensando,
afinal há coisas mais importantes como assistir um programa de fofocas na tv...
Aqui vai um trecho da matéria
para que vocês leiam e reflitam quanto a isso:
"A negação do ócio leva à
desvalorização de qualquer atividade que não gere um lucro imediato e
mensurável. É assim que as atividades artísticas em geral e a filosofia, no âmbito da educação, vão ser desvalorizadas pelo
tecnicismo ou, no mínimo, não serão levadas muito a sério. [...] O próprio
lazer, que deveria ser o espaço do ócio moderno, torna-se alienado, não
criativo, mero tempo para se consumir mais e mais ou, o que é pior para o
descanso da fadiga diária e recuperação das forças para o próximo período de
trabalho. [...] Quantos executivos já estão trabalhando em casa, na praia ou na
piscina? Inverte-se a lógica: não se trabalha para viver, mas vive-se para
trabalhar! Tudo gira em torno do mercado, tudo se torna mercadoria na sociedade
de consumo e consumista, inclusive o próprio lazer. O lazer que deveria ser
criativo o ócio dos místicos, dos filósofos, dos artistas, já não encontra
lugar nesse mundo da produção, do lucro e das “leis do mercado”. E até a arte,
o ócio e a fé se tornam mercadoria! Tudo
tem um preço no mercado comum da vida humana. Não seria essa uma das causas
existenciais do aumento do consumo de drogas em todo mundo? É possível superar
tanta alienação e ainda ser feliz?"
Bom gente, conseguiram
problematizar? Até os nossos momentos que deveriam ser reservados para nós, são
carregados de cultura de massa que buscam arrancar lucro em cima de pessoas sedentas
de alguma coisa que forneça comodidade e a alegria superficial, nessa sociedade
que torna seres complexos em mentes fúteis e incapazes de raciocinar de forma
crítica. É olhado por esse lado, que compreendemos o porquê de tudo hoje ser
tão banal tão instantâneo, o conhecimento não se fortalece, o excesso de
informação sobrecarrega as pessoas, e tudo o que resta é continuar correndo igualmente
a ratos dentro dessa roda que é a sociedade.
É preciso libertar-se dessa roda
e seguir por outros caminhos, e que esses outros caminhos sejam escolhidos por
você, é preciso ser livre e desligar-se para poder aproveitar o pouco que
podemos e desse aproveitamento fazer coisas úteis que favoreçam nosso
engrandecimento como ser.Vou concluir com outro trecho da matéria, e espero que
que tenham gostado!
“Tempo livre, portanto, somente é
livre se existencial, se embriagado de vida, e embriagar-se de vida significa
libertar-se do mundo prescrito, da realidade da televisão, dos filmes em que
tudo funciona perfeitamente, e da visão científica em que tudo é amarrado e
ajustado logicamente. Embriagar-se de vida é permitir-se ao prazer da
existência, assim como também permitir-se à dor da existência. Há quem deixe de
viver por temer a dor da perda, ou então insiste em forjar explicações
racionais para não usufruir o prazer ou para apaziguar a dor. Assim tudo fica
mais fácil, mas inevitavelmente se torna também artificial. Às vezes o sentido
de certas expressões diz muito pouco ou está muito aquém da realidade que se
pretende comunicar. [...] Portanto, trata-se de abdicar de crescer e abrir
caminhos, de negar a existência em favor de uma segurança impossível.”
Para quem quiser conferir a
matéria completa: DESOTI, C. COSTA, V. Reflexão e Prática: Ócio versus Preguiça; Tempo Livre de Sísifo.
Filosofia, n° 78, p. 36 – 50, Janeiro, 2013.